Capítulo 7
We might as well be playing with lightning
Podemos também estar brincando com raios
Música do título: Lightning - The Wanted
Angel Pov's
Eu não acreditava que a Maikê tinha me deixado sozinha com ele.Justo com ele.Porque tinha que ser logo ele,meu Deus?
Assim que a Maikê e o Adriano sumiram de vista,ele sentou do meu lado.
— Quanto tempo,né?—Falou ele,quebrando o silêncio.
— Pois é.
— Você mudou bastante,sabia?
— Eu?
— É.Tais diferente.
— É,tô mesmo.A gente piora com o tempo.
— Não acho isso.—O que ele queria dizer?
— Já você,tá o mesmo.
— Sério?
— Acho que sim.
— Fazia tempo que eu não te via.
— Como se tu me visse muito antes mesmo.
— Até que via.—Ficamos um tempo em silêncio,até que ele falou de novo.—Não sabia que você conhecia o Adriano.
— Também não sabia que você conhecia ele.
— Pois é,mundo pequeno.—Disse,rindo.
— Na verdade eu conheço ele por causa da Maikê.
— Ela é tua melhor amiga,né?
— Sim.—Falei sorrindo e ele sorriu também.
— O Adriano me falou que vocês são muito amigas.E que uma não vive sem a outra;que é quase um casamento.
— Sem dúvidas.A Maikê é muito importante pra mim.
— Ele disse que vocês querem montar uma banda,é verdade?
— É,por que?
— Por nada.É só que eu tô aprendendo a tocar baixo,aí achei interessante.
— Bom,era sobre isso mesmo que eu queria falar com você.—Ele me encarou,sério.
Expliquei a história toda pra ele.E pra minha surpresa ele aceitou.
— Ah,e o Adriano não pode saber de nada por enquanto.Então fica de boca fechada,tá legal?
— Tudo bem.Mas eu preferia que você fechasse minha boca.—Ele piscou pra mim.
— Como assim?—Me fiz de burra.
— Você sabe.Você poderia fechar a minha boca com um beijo.
— Deixa de ser idiota,Luiz Paulo.—Eu não acreditava que tinha ouvido aquilo.Ele sempre me ignorou.Nós nunca tínhamos nos falado antes de hoje,mas ele sabia que eu gostava dele.O que era isso agora?
— Pensei que você quisesse.—Disse ele,convencido.Eu odiava isso nele.Nele e em todo garoto.Humildade é bom e todo mundo gosta.
— Pois pensou errado.Eu fiquei aqui porque eu queria falar contigo.SÓ isso,entendeu?
— Entendi.Mas não quer mais nada mesmo?
— Mas é claro que não.O que mais eu iria querer de você?
— Posso te dar tanta coisa.—Ele riu,malicioso.
— Mas é um convencido mesmo.—Dei um tapa nele.Mas ele segurou a minha mão.Tentei puxar de volta,mas ele não deixou e olhou pra minha mão,vendo as cicatrizes no meu pulso.
— O que você fez aqui?
— Nada.—Puxei minha mão de volta,mas ele não deixou.
— Me fala.
— Não te interessa,Luiz.E não é nada.
— Como não é nada?
— É sério,já disse que não é nada.—Puxei minha mãe de novo e dessa vez ele deixou,porque viu que a Maikê e o Adriano estavam voltando.
Olhei pra Maikê tentando transmitir pelo olhar que tudo tinha dado certo.Ela pareceu entender.Melhores amigas eram assim mesmo,se entendiam pelo olhar também.
Ficamos mais um bom tempo conversando,e de vez em quando eu via o Adriano observando eu e o Luiz.Deveria tá desconfiando que eu e ele tinha ficado ou algo sim.A Maikê também olhava pra gente,mas imagino que era pra ver se eu tava com raiva do Luiz.
Quando ficou mais tarde dei tchau pra eles e disse pra Maikê que ligava pra ela amanhã.Quando eu estava chegando no carro,eu sinto alguém atrás de mim.Olho pra trás e vejo o Luiz.
— O que tu quer?
— Eu quero...—Ele me colocou contra o carro.—Quero saber o que é isso aqui.—Ele pegou meus pulsos e mostrou as cicatrizes que eu conhecia muito bem.
— Olha,eu já te falei que não é nada.
— Mas eu quero saber.—Ele chegou mais perto de mim.
— Então vai ficar querendo,porque não vou falar.
— Por que não?—Ele chegou ainda mais perto.
— Porque isso não é da sua conta.
— Mas eu agora faço parte da banda,vou conviver muito com você.Me conta,vai.—Dessa vez o corpo dele tava encostado no meu,e a boca dele tava muito perto da minha.
— Eu tenho que ir.—Dei um empurrão nele.
— Espera,quer que eu te leve?
— Não.Eu sei o caminho da minha casa.
— Mas você bebeu.
— Você também.Eu sei me virar muito bem sozinha.
— Mas eu quero ter certeza que você vai chegar bem em casa.
— Ah,para de ser idiota,né.Como se tu se importasse com isso.
— E me importo mesmo.Eu sei que você não acredita em mim.Eu sei que fiz muita coisa errada com você.
— Você não fez nada de errado comigo.
— Fiz sim.Há alguns anos atrás.Eu sei que você lembra.Olha,me desculpa por tudo.Eu era um idiota.
— Você ainda é um idiota.—Interrompi ele.
— É,acho que sim,mas....
— Mas nada,Luiz.Eu não quero falar sobre isso.Aliás,não tem nada pra se falar.Eu tenho que ir.A gente se vê logo.
— Me passa teu número.
— Pra que?
— Como pra que?Eu preciso saber quando vocês vão se reunir e tudo mais.
— Ah,é verdade.Mas me passa o teu.Quando tiver alguma reunião ou alguma novidade,eu te ligo.
— Não quer me passar o teu?
— Logo você vai saber,não é?Me passa,eu tenho que ir.
Ele me passou o número dele e eu entrei no carro e vim pra casa.Eu não acreditava no que tinha acontecido hoje.O menino que eu gostava há alguns anos atrás,e que me deu muito trabalho pra esquecer,agora iria ser o baixista da mesma banda que eu.Que ótimo.E como se não bastasse,ele ainda tentou me beijar e ficou pedindo desculpas pela outra vez.Não sei porque,não aconteceu nada entre a gente.Era eu que gostava dele e ponto.Mas nem deixei ele falar,não tinha nada pra ser dito.E eu não iria ficar com ele.Agora quem não quer sou eu.
No outro dia de manhã liguei pra Maikê e contei pra ela como tinha sido.Ela ficou super feliz,e claro,aproveitou pra me zuar um pouco pelas atitudes do Luiz.Combinamos uma reunião pra sexta-feira.Até lá o Cássio já teria chegado.
Depois liguei pra Bia e pro Cássio falando da reunião,sem entrar em muitos detalhes.Mandei uma mensagem pro Luiz também.É claro que depois que ele soube do meu número,ele ficava mandando mensagens pra mim.Mas ignorei o máximo que pude.
Maikê Pov's
Sexta-feira eu iria ficar sozinha em casa de novo,então aproveitei e marquei a reunião com o pessoal da banda aqui mesmo.
Com tudo pronto,o pessoal foi chegando.Fomos pro meu quarto e explicamos tudo pra Bia e pro Cássio,que ainda não sabiam do Luiz.
— Bom,agora que todo mundo já se conhece,a gente precisa achar um lugar pra se encontrar sempre.—Angel falou.
— Um lugar bem discreto,né.—Falei.—Por enquanto ninguém pode saber.
— Pode ser na minha casa.—Falou o Luiz Paulo.
— Na sua casa?
— Sim.Lá tem uma garagem que dá pra gente ensaiar.Também não fica no centro da cidade,e meus pais também não se importam,e nem vão falar pra ninguém.
— Parece ótimo.—Disse Angel.
— Então tá certo.O lugar já temos.Agora só falta fazermos as aulas de instrumentos e começar a ensaiar.—Falei.
— No começo nós podemos tocar músicas das nossas bandas preferidas,depois quando estivermos bons nisso,podemos começar a compor alguma coisa.
— Isso vai levar um tempo.—Comentou Bia.
— Com certeza vai.—Falei.
— Mas tempo nós temos.—Falou Luiz.
Ficamos conversando mais um tempo.Falamos o nome pros meninos,e por incrível que pareça,eles gostaram.Então,por enquanto ficaria DK Secret mesmo.
Depois de um tempo fomos assistir um filme e os meninos acabaram assistindo com a gente.Durante o filme eu percebi os olhares do Luiz pra Angel.Ele estava mesmo afim dela.Mas eu sabia que ela não tava nem aí pra ele.Parece que dessa vez quem iria sofrer era ele.

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